quinta-feira, 30 de outubro de 2014

A falta de tempo. É isso mesmo?

Ontem, o Vince chegou da escolinha e só quis brincar. Nada de sonequinhas de 2 horas, nada de jantar, tomar banho e dormir. Ele queria brincar, queria atenção, queria colo. E eu? Eu queria tempo.
O tempo é muito relativo, afinal. Hoje, mais do que nunca, eu acredito que o uso do seu tempo seja realmente uma escolha pessoal. É importante parar um dia e pensar: Quais são as minhas prioridades?
O nosso tempo de vida é limitado, todos sabemos, dificil é tomar consciência real disso. Quando estamos fazendo algo por alguem, mais do que qualquer esforço ou dinheiro, estamos doando nosso limitado tempo. 
Então, você se pergunta? O que eu venho fazendo com o meu bem mais precioso? O que eu tenho feito com o meu tempo?
Eu trabalho em parte dele, então procuro fazer algo que eu gosto muito. Gosto do meu ambiente de trabalho, gosto de atender meus pacientes e gosto de onde trabalho também, não vou negar, porque sempre tenho um tempinho livre, que posso usar pra escrever, aqui, por exemplo, coisa que é impossível de fazer quando estou em casa.
E quando você sai do trabalho, o que faz com o seu "tempo livre"? Tenho certeza que a maioria já começou a listar as coisas que gosta de fazer. Podemos incluir ler um livro, assistir um bom filme, ir ao cinema, preparar um jantar especial, ir a academia, etc, etc, etc...
Ficar com a família, faz parte da sua lista ou você acabou de lembrar agora que eu perguntei?
E quando você " esta com a família" quanto você realmente esta com a família e quanto a família esta cada um no seu celular?
Foram essas perguntas que eu me fiz há algum tempo atras e hoje eu me esforço, não vou dizer que consigo 100%, mas eu realmente me esforço para "estar com a minha família" de verdade.
Eu desligo do celular para assistir Disney Jr e Galinha Pintadinha com o Vince sentado no meu colo. Desligo do celular para sentar no tapete para brincar com ele, desligo do celular para jantar com o meu marido, mesmo que muitas vezes, ele não desligue.
E não adianta dar desculpas: é sobre o trabalho, ou estou conversando com a minha mãe, com o meu pai, com o meu chefe, etc. Você esta ali, com a sua família, mas ao mesmo tempo, não esta.
E eu não cobro ninguem que faça o mesmo. Cada atitude em prol do outro, seja filho, esposa, marido, mãe, pai, etc... tem que ser uma decisão sua, de coração. O precioso tempo é seu, você tem que ter a liberdade de escolher com o que quer gasta-lo.
Quando estou sentada no chão, brincando com o Vince, ou simplesmente impedindo ele de se matar, subindo nas estantes, derrubando as coisas em cima de si próprio, etc... eu muitas vezes sinto vontade de terminar aquele livro que comecei há séculos e ainda não teminei, de mexer no celular e ver o que estão comentando no facebook, de conversar com a minha mãe ou minhas amigas no whatsapp, mas naquele momento, eu escolho doar meu tempo para o meu filho, enquanto ele ainda quer tanto minha atenção. Porque, afinal, esse tempo logo vai passar e ele vai entrar naquela fase individual que vai desde a adolescencia até a maturidade, quando ele tiver o seu próprio filho e perceber o quanto sente falta da mãe também e assim o ciclo vai se repetindo... 
 Por tudo isso, hoje eu acredito  que doar o seu tempo é o maior gesto de amor que você pode fazer a alguem. 

Use it well!!!

sábado, 18 de outubro de 2014

Hora de voltar a trabalhar


Quando eu fiquei gravida, de uma coisa eu  já tinha certeza, eu voltaria a trabalhar quando o Vince tivesse cerca de 4 meses. A retomada da minha rotina foi uma parte muito importante de eu me sentir bem com a maternidade. Minha independência, pessoal e financeira sempre foi muito importante pra mim. 
Pra quem, por escolha ou por necessidade, também vai deixar o filhote, pequenininho aos cuidados de outras pessoas, temos 3 opções. A escolinhas, os avós (ou outros parentes) ou babás.
 Vou deixar a minha opinião sobre cada uma dessas escolhas e as recomendações dadas inclusive pela sociedade brasileira de pediatria.

1) babás: eu acredito que existam ainda famílias em que a babá acompanha pais, filhos e netos, mas isso, hoje em dia, é bastante raro. Eu, particularmente, nunca aceitei bem essa opção, acho que deixar o meu bebezinho com um desconhecido, sozinho, dentro da minha casa, seria algo com o qual eu não conseguiria lidar, mas se essa é a sua opção, as recomendações principais são que você não deixe seu bebe sozinho com a babá desde o primeiro dia, pois a criança tem que ter um tempo para conhecer e se sentir confortável com o estranho então, é recomendado que você conviva com a baba por cerca de 2 ou 3 meses antes de deixa-lo a sós com ela. Conheça seus hábitos, crenças, nível educacional, lembre-se que a criança aprende por imitação. Monitore pelo menos alguns cômodos da casa com câmeras de segurança que possam ser acompanhadas por você via internet (sim, isso faz parte das recomendações da sociedade brasileira de pediatria!). 

2) avós: na verdade, essa opção diz respeito a todos os parentes, mas os avós são os mais comuns nessa função. Bom, a parte de segurança e carinho estão garantidos nessa opção, porem o problema se encontra na dificuldade de interação entre as mães e os parentes que cuidam da criança. Normalmente, os parentes tendem a ser mais permissivos e isso pode gerar conflitos ou situações desconfortáveis na família. A criança criada pelos parentes mais permissivos tende a ser mais manhoso e mais inseguro devido ao apego excessivo que desenvolve com os cuidadores. Não que isso vá durar para vida inteira, na maioria das vezes o que ocorre é um amadurecimento mais tardio, mas que em nada vai atrapalhar seu desempenho escolar mais tarde ou seu sucesso profissional. 

3) escolinha: essa sempre foi a minha opção. A escolinha estimula o desenvolvimento social, neuro-psico-motor e cognitivo da criança. Há um estimulo ordenado, realizado por pessoas treinadas, a criança segue uma rotina pre-estabelecida e na maioria das vezes, tem um aprendizado mais rápido, é mais independente e mais sociável. Mas há os inconvenientes e o principal deles são as infecções que invariavelmente irão acontecer em maior ou menor freqüência, podendo chegar, algumas vezes a nos fazer ter que mudar de estratégia, como ter que retirar a criança da escola, mas esses casos são menos comuns, mas é por isso que é tão importante um acompanhamento rotineiro com o pediatra, principalmente nos primeiros meses de escolinha. 

Esse é o Vinvce na escolinha, tomando mamadeira no colo da "tia Su", a "tia" que ele é mais apegado no berçario. ❤️

O mais importante, porém, é você estar satisfeita com a sua opção, seja ela por escolha sua, ou a sua única opção, tente encarar como uma nova etapa na vida do bebe, que irá proporcionar amadurecimento de ambos, e se for tratado de forma natural por você, será encarado de forma natural pelo bebe também. 

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Mais ensinamentos com a maternidade

Algumas de vocês devem saber que o Vince estava em investigação de alergia a proteína do leite de vaca (APLV), e devido a isso, fizemos um pouco mais de um mês de exclusão total de leite e ele não apresentou melhora significativa. Houve melhora do refluxo, que era um sintoma importante, mas a tosse e a dermatite persistiram. 
Voltamos no pneumologista na sexta feira passada e ele, diante desses fatos e da historia familiar, principalmente pelo lado do meu marido, muito forte para asma, pensou que talvez o Vince seja mesmo um bebe chiador, uma  dessas crianças que tossem muito e tem chiado no peito frequentes. 
Iniciamos o tratamento dado pelo pneumologista na sexta a noite mesmo e durante o final de semana, ele foi só melhorando. Até que no domingo a noite dormiu super bem, sem tossir nem uma vez! Foi simplesmente maravilhoso, levantar e ir ver ele dormindo tranquilo no bercinho dele. 
Esse é o Vince, dormindo tranquilamente, nas posições mais doidas... Rs

Agora, ele acorda feliz, sorrindo. chega feliz na escolinha, descansado, querendo brincar. É delicioso de ver!
E então, eu me peguei feliz da vida porque meu filho é chiador! Oi? Eu estou feliz porque o meu filho tem uma doença crônica, que vai acompanha-lo a infância inteira, vai faze-lo usar medicação quase continuamente e pode se prolongar por toda vida??? Que espécie de mãe sou eu????
Na verdade, esse foi um grande ensinamento que meu filho me deu.(mais um, pra ser sincera, porque aprendemos com eles todos os dias, não?!)
Eu me lembro de quando estava fazendo minha especialização em pediatria, e eu e minhas colegas, todas na casa dos 20 e poucos anos, com a maternidade ainda sendo uma realidade muito distante de todas nós, conversávamos abismadas que algumas mães pareciam felizes com o diagnostico dos filhos: - e a mãe ficou feliz quando eu falei que a criança estava com pneumonia, vcs acreditam? Dizia uma. E nos todas ficávamos sem entender como isso era possível....
Hoje, eu entendo.
Nenhuma mãe fica feliz que seu filho esteja com pneumonia, nem muito menos que ele seja um bebe chiador. A gente fica feliz de ter um diagnostico. Nesse ultimo mes, eu compreendi muito bem o que é imaginar que seu filho tem uma doença, começar o tratamento, e nada dele melhorar. Você vê que ele esta sofrendo, você esta dando os remédios e ele não melhora e você tem que esperar até o dia do retorno para mudar alguma coisa, quando você queria mudar aquela situação ali, naquele exato momento... Não é nada facil.
Então, te dão outro diagnostico e você acredita nele. Aí você começa a usar a medicação e a criança... melhora!!! Nossa!! É a melhor sensação do mundo!! Saber o que ele tem e tratar para ele ficar bom!!
Hoje, eu entendo.
A cada dia que passa eu percebo quanto meu filho me ajuda a crescer como pessoa e no meu caso, ainda me ajuda a crescer como profissional. Realmente, uma pediatra com filho é diferente de uma pediatra sem filhos. Diferente, não melhor ou pior, mas diferente. 
Hoje eu entendo e tudo graças ao meu Vince. 
São pouco mais de 9 meses, e eu já tenho tanto a agradecer...
Obrigada, filho. 


sexta-feira, 19 de setembro de 2014

E o bebê ficou dodói


O Vince, essa semana, ficou doente. Ele passou super bem o final de semana e começou a apresentar uma febre baixa na segunda-feira a tarde (38°C). Essa febre evoluiu para um quadro que chamamos de bacteremia, quando há diminuição da perfusão periferica, cianose de extremidades, taquicardia, e respiração irregular, que pode preceder ou vir junto com o aumento da temperatura ( em outras palavras, ele ficou com a respiração bastante cansada, os pés, as mãos e os lábios arroxeados e tremendo bastante). 
Realmente, como a descrição dos sintomas mesmo mostra, não é um quadro muito agradável de ver o seu filho apresentar... Cheguei a coloca-lo no carro para leva-lo para a emergência, mas o quadro recrudesceu no caminho para o hospital e como esse quadro esta muito ligado a infecções bacterianas, mesmo sem achar o foco infeccioso, iniciei o uso de antibiotico via oral.
Naquela tarde, quando eu peguei o Vince na escola, ele já tinha um hemograma programado pra fazer que havia sido solicitado pelo medico dele e eu aproveitei e colhi também outros exames por causa da febre e a noite, quando chequei os resultados, estavam todos normais. 

Essa foto eu tirei no laboratorio, enquanto a gente esperava o raio X ficar pronto. Ele estava com febre, sonolento e irritado... Tadinho... :(

Ele continuou com febre por 3 dias, eu repeti os exames depois de 2 dias, que desta vez mostravam uma reação do organismo a infecção, mas continuamos sem achar o foco. No mais, apesar da febre ele manteve-se sempre brincando, rindo, e se alimentando muito bem. 
Na noite do terceiro dia, ao invés de febre, ele apresentou hipotermia (quando a temperatura fica menor de 36°C), o que na maioria das vezes, principalmente nas crianças abaixo dos 3 anos, tem o mesmo valor da febre, ou seja, é um sinal de infecção, só é mais dificil de lidar.  Para a febre, temos os antitérmicos, mas para a hipotermia, não há medicação. Embrulhei ele nas cobertas, liguei o aquecedor do quarto, e fiquei ao lado dele, esperando melhorar, o que só foi acontecer realmente por volta das 05h da manhã. 
Ele ainda teve outro episódio de hipotermia na manhã do quarto dia e então, finalmente melhorou. Desde ontem esta sem febre e sem hipotermia, esta usando o antibiotico, mantendo sempre o bom estado geral e a boa aceitação alimentar.
Esse é o Vince com 38,5 de febre, de olho no nosso pãozinho. Rsss

O que eu quero ressaltar contando essa experiência pra vocês é que: 
- nem sempre encontramos o foco da infecção, ou conseguimos saber exatamente o que esta acontecendo com o organismo da criança. E isso acontece com o filho de qualquer um, inclusive com o dos médicos e dos pediatras. 
- o que garantiu que o Vince não fosse internado para maior investigação do quadro foi o bom estado geral e a aceitação alimentar. Se ele tivese parado de se alimentar ou tivesse ficado abatido, quieto, era hora de ampliar a investigação. E isso é uma alerta pra todo mundo: mudou o comprtamento, parou de comer, é hora de voltar no médico.
- uso do antibiotico: normalmente não entramos com antibiótico sem achar o foco, ou aguardamos um, dois, até 3 dias de febre para depois pensar em começar o medicamento, então, porque eu fiz diferente? Por causa da bacteremia. Esse quadro feio que eu descrevi pra vocês no começo esta muito ligado a infecção bacteriana.

Resumindo: procure sempre o pronto atendimento, se:
- seu filho apresentar febre alta (>39°C)
- seu filho começar a ficar mais amoado, quieto e se recusar a comer, ou diminuir muito a aceitação alimentar
- seu filho apresentar tremores, pés, mãos ou labios arroxeados ou dificuldade de respiração (respiração irregular, parecer cansado). 

Ter uma criança doente em casa é sempre uma preocupação, mas é preciso ter paciência, dar tempo para o organismo da criança reagir e ficar atento ao aparecimento de novos sintomas ou mudança no quadro geral anterior. E sempre procurar dar conforto, carinho e atenção à criança nesse momento. Quando ela esta doente, não é o dia de corrigir nada, ela pode comer os alimentos que aprecia mais, pode mamar mais do que comer, pode dormir no seu colo, na sua cama, pode ficar de pijama o dia todo, etc... O principal que uma mãe deve fazer é encher a criança de carinho. 
Esse é ele ontem a noite, bem melhor, s febre, sem hipotermia. Graças a Deus!! 

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Birras... mas já?!

O Vince esta para completar 9 meses e há quase 1 mês já começou a apresentar aquele comportamento temido por todos os pais: a birra.
A birra acontece por uma dificuldade em lidar com o sentimento de frustração. A criança tem dificuldade em aceitar que não pode satisfazer todas as suas vontades no exato momento em que elas surgem. Aí, ela grita, chora, esperneia, se joga no chão, etc, etc... e faz os pais morrerem de vergonha, ou de raiva, mesmo.
O comportamento da birra é mais comum dos 2 aos 5 anos, mas pode começar antes e se prolongar até uns 8 anos, devido a inúmeros fatores, desde o tipo de ambiente familiar, até as características próprias do desenvolvimento da criança.
No caso de bebes, como o Vince, na maioria das vezes, o choro excessivo, gritado, que chega a doer os ouvidos e irritar profundamente até o coração mais terno de mãe, ocorre devido a dois fatores principais. Ou tem alguma necessidade básica da criança que não esta sendo suprida e nisso, entenda-se principalmente fome ou sono, mas pode ser também uma fralda suja, calor, frio, etc. Ou ele esta simplesmente entediado da atividade ou da rotina. 
O primeiro passo então, é ver se não esta na hora de alimentar ou de colocar pra dormir. O Vince tem uma rotina muito controladinha, ou seja, brincadeira-chorinho-alimentação-brincadeira-chorinho-sono. Ou seja, se ele começa com o chororô, é so se lembrar se ele comeu ou dormiu pela ultima vez, esta na hora do próximo. Normalmente, a birra maior dele é quando esta com sono, e como eu não acostumei ele a dormir no colo de jeito nenhum, é sempre bom ter um carrinho ou um bebe-conforto por perto, quando saimos de casa, porque no colo, é sempre muito pior. Se estamos em casa, é fácil, é por no berço, que ele se ajeita e dorme quase que instantaneamente. 
Agora, se acabou de dormir, ou de comer e começa o choro, tem que tentar distrair a criança, ou seja, caminhar até a janela e mostrar a rua, colocar um desenho, uma musiquinha que ele goste, fazer brincadeiras, dançar com o bebe no colo, etc. vale toda a imaginação dos pais, nessa hora.
Nessa idade, só não vale brigar. A criança não entende que seu comportamento esta errado, e devemos deixar o "Não!" para coisas realmente perigosas, como colocar a mão na tomada, querer pegar uma faca de cima da mesa, etc. Toda vez que tiramos algo da mão deles, ou que eles tentam pegar um objeto e são impedidos, o choro é a reação natural, e reflete o começo da dificuldade em lidar com a frustração, então, se for algo inofensivo, permita, mas se for algo que apresente risco, não pode deixar mexer e pronto. Tire o objeto de perto, diga o Não! e quando começar o chororô tente distraí-lo com outra coisa. 
E não adianta nada dar mil e uma explicações para o bebe e nem tentar falar o Não! cheio de dengo na voz. Os bebes entendem mais a expressão facial e o tom de voz do que as palavras propriamente ditas, então, coloque uma expressão seria no rosto, afaste o objeto e diga Não!. Ele vai chorar, ou (pior!) vai olhar pra você e abrir o sorriso mais lindo do mundo. 
E é nessa hora que a gente se derrete (vou ser sincera que até eu, as vezes, não resisto e sorrio de volta pra ele, é quase irresistivel!!), mas temos que ser fortes, principalmente se a lição a ser aprendida com aquele Não! for importante. Mantenha a expressão seria e leve o bebe para se distrair com outra coisa. 
É... e isso é só o começo... Quem disse que educar seria fácil??


quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Noites mal dormidas... E a culpa era minha!

É dificil admitir, mas muitas vezes sufocamos nossos pequenos com tantos cuidados e excesso de zelo. E foi acontecer em casa, apesar de eu reforçar tanto isso para os pais no consultorio... 
Há mais ou menos 2 semanas, o Vince começou a acordar a cada 1 hora ou 1 hora e meia, choramingava e eu tinha que ir lá no qaurto dele, colocava a chupeta na boca e ficava com ele um pouquinho, e ele voltava a dormir. Isso estava acabando com a minha noite e com a dele também. Ele que sempre dormiu bem e acordava com um sorriso no rosto, começou a acordar irritado, bravo, não gostava de ser tirado da cama para ir para escolinha. 

Essa era a cara de poucos amigos... 

Eu achava mil e um motivos para o que estava acontecendo. É a crise dos nove meses que esta chegando, é o leite que nós mudamos, são colicas devido ao leite novo, é o nariz entupido, a tosse... enfim, motivos, eu encontrava de sobra.
Até que, há 2 dias, meu marido me viu trocando ele para dormir e falou espantado: você vai colocar tudo isso de roupa nele? esta calor! 
Bem, eu sou a pessoa mais friorenta do mundo, estou sempre de blusa de frio e nunca, nunquinha, durmo descoberta! 
Mas, nem todo mundo é igual a mim, meu marido estava atordoado, com o body de manga comprida, calça, meia e macacão que eu estava colocando no pequeno. 
então, eu resolvi seguir o conselho dele, troquei o body de manga comprida, por um de manga curta, deixei a calça de lado, colocando apenas a meia e vesti o macacão. coloquei no berço, ajeitei ele debaixo das cobertas, botei a chupeta na boca e ele se virou todo, se livrando das cobertas e embalou no sono.
Eu resisti bravamente a todos meus instintos maternos super-protetores e o deixei lá, descoberto...
E não é que ele dormiu a noite inteirinha!!! Eu acordei umas duas vezes e fui lá ver ele, continuava descoberto, mas ao toque, ele estava quientinho, fazer o que?! não mexi, e ele continuou dormindo. 
Há duas noites que eu deixo ele a vontade pra dormir como ele quiser, as vezes, chego no berço e ele esta com a cara enfiada no cobertorzinho preferido dele, mas dá pra ouvir ele respirando. Minha vontade é ajeitar ele todo de novo, mas eu me controlo e deixo ele dormir na posição que ele quiser. Não é facil, mas é certo. 
Ele já esta com quase 9 meses, consegue se virar na cama, pegar a coberta, tirar a coberta, deitar de barriga pra cima, de lado, de bruços. Chega uma hora que a gente tem mesmo que parar de interferir, mas é como se ele não precisasse mais desses meus cuidados, não é nada fácil ir vendo que ele deu mais um passinho em direção à sua independencia.
Após essas duas noites bem dormidas, ele tem acordado todo alegre, com um sorrisão no rosto, vai todo feliz pra escolinha, e eu também estou bem mais descansada. 
E agora, com a carinha bem mais alegrinha!!
PS- atras dele é a Mel, nossa cachorrinha, dando uma de "papagaio de pirata" pra sair na foto! 

As vezes, as coisas estão dando errado, a gente começa a buscar desculpas pelos nossos próprios erros. duas semanas de noites mal dormidas e a culpa era inteiramente minha. 

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Visitando um recém-nascido

É realmente incrível como a chegada de um bebezinho muda o astral da família inteira, minha prima Andrea, que é seguidora aqui do blog,  teve seu filhote ontem. O Rafinha nasceu forte e saudável e fez uma mobilização de todo mundo da família, querendo fotos e expressando uma alegria que só mesmo esse momento magico pode proporcionar. 
Então, resolvi aproveitar o nascimento do Rafinha pra fazer um post de dicas de visitas à puerpera e ao recém nascido.
Vamos às dicas:

1) Se sua saude não estiver 100%, não vá. 
Pra mim, essa regra é primordial. Se você (ou qualquer outra pessoa que fosse com você visitar o bebê) estiver tossindo, espirrando, com nariz escorrendo, entupido, mesmo que você ache que seja apenas uma alergia: não vá. Os bebes são muito mais vulneráveis a qualquer tipo de doença, e o que pode ser apenas um resfriadinho de nada em um adulto ou em uma criança mais velha pode virar uma pneumonia num bebe recém -nascido. Lembre-se, você vai poder conhecer o bebe depois que melhorar!

2) Não de conselhos.
Eu não disse palpites por que achei que poderia ficar muito rude, mas a ideia é bem essa mesmo! O momento do nascimento, os primeiros dias com o bebe, são períodos de muita insegurança para a mãe. Não vai ajudar em nada você ficar dizendo o que a sua prima, tia, vizinha, amiga ou até mesmo o que você fez nesses dias. Sempre que perceber que a mamãe esta insegura, aconselhe a conversar com um profissional da área. Fale que a insegurança é normal, que todo mundo se sente assim e que ela não deve ter vergonha de perguntar nada no dia da consulta é muito mais válido do que correr o risco de dar algum conselho que não se aplique naquele momento. 
Outro ponto importante é não desanimar a mãe. Se ela comentar que o bebe tem ficado a noite inteira acordado mamando, em nada vai ajudar você dizer: então se prepara que você não vai dormir pelos próximos dois anos! Que tal, ao invés disso, você dizer: mas olha como ele esta grandão! É o seu leite que esta fazendo isso por ele! Você esta sendo uma ótima mãe! Parabéns! 
Com certeza, você vai ter contribuído muito mais!!

3) A higiene pessoal de quem visita o bebe deve ser 100%. 
Você esta chegando da rua, nem prestou atenção aonde colocou as mãos e quer ir pegando o bebezinho? Não pode. Sempre que entrar na casa de alguem que acabou de ter um nenezinho, peça para lavar as mãos. A mãe já vai ficar bem mais segura, caso você faça um carinho no bebe. 
Bebes são muito sensiveis, então, vale aquelas regrinhas básicas de não usar nada que tenha odor muito forte, como cremes, perfumes, etc.
NÂO FUME. Ah, essa é fundamental. Acho que ninguém fumaria durante uma visita a uma recém nascido, mas tem que se lembrar de não fumar nem antes de ir. Se você é fumante inveterado, planeje bem a sua visita. Fume seu cigarro, depois escove os dentes, lave bem o rosto e as mãos e troque de roupa, pelo menos a blusa, pois assim você estará diminuindo as chances do bebe entrar em contato com os poluentes presentes no cigarro. E, de quebra, se você for um parente próximo do bebe, como um avô, uma avó, uma tia, vai te ajudar a parar de fumar! 

4) Cuidado com as fotos.
Ao tirar fotos, não use flash, por que a luz forte incomoda o bebe e pode desperta-lo se estiver dormindo, o que vai atrapalhar a rotina dele e da família. 
Não poste fotos do bebe em redes sociais sem solicitar para a mãe antes e principalmente se a mãe não usar esse tipo de mídia. Se a mãe não tem conta no facebook, provavelmente é porque ela não gosta desse tipo de exposição, então, não poste uma foto do filho dela, principalmente sem autorização. 

5) Não atrapalhe a rotina do bebe.
Nesses primeiros dias, os pais estão se esforçando para "ensinar" ao bebe o que é dia e o que é noite, estão tentando que ele não se acostume no colo, etc... Então, se o bebe estiver dormindo, não fique cutucando o bebe, pegando na mãozinha, fazendo carinho na cabeça. Bebe é para olhar. quanto mais mexe, mais atrapalha a rotina dele. Depois que ele ficar maiorzinho, teremos todo tempo do mundo pra pegar no colo.

6) Dê privacidade.
No momento dos cuidados com o bebe, deixe que a mãe tome conta sozinha, a não ser que ela te chame, peça sua companhia. Muitas mães ainda estão inseguras com os cuidados com o bebe e podem ficar ainda mais constrangidas se tem alguém observando, principalmente se essa pessoa começa a "tentar ajudar", dizendo como ela deve fazer pra trocar as fraldas, como deve passar a pomada, como deve segurar o bebe. Mãe e bebe precisam de um tempo para se entender. Respeite.
No momento da amamentação. Esse é um momento muito delicado. As mamas estão volumosas e doloridas, o bebe tem dificuldade para pegar, a mãe esta estressada com o leite que não desce... São muitos os fatores que podem interferir na amamentação, então, é um momento que a mãe e o bebe precisam de sossego. Nessa hora, o melhor que você pode fazer para ajudar é dar espaço para mãe e bebe se conhecerem, sozinhos. 

7) Seja breve.
Os primeiros dias com o bebe podem ser muito exaustivos, então, não prolongue sua visita. Esse definitivamente nao é o momento de colocar o papo em dia. Lembre-se que as noites na casa do bebe recém nascido estão sendo muito complicadas, pai e mãe tem dormido pouco, e estão cansados. O momento que o bebe dorme, não é a hora de ficar horas batendo papo, é hora de todos descansarem também. 

8) Ofereça ajuda e efetivamente ajude.
Quando for visitar o bebe, seja sincero ao perguntar no que pode ajudar e pense em tudo o que você pode efetivamente ajudar. Que tal ligar antes de ir e perguntar se eles precisam que você aproveite e leve alguma coisa? As vezes, eles teriam que sair só pra comprar um pacotinho de algodão. Você pode ajudar! 
Se te ofereceram um cafezinho, que tal ajudar a tirar a mesa, e ainda lavar sua xicara? Alguem vai ter que fazer isso depois que você for embora.

9) Agende a visita
Parece brincadeira, né?! Como se o bebe tivesse muitos compromissos!! Na verdade, o importante é saber o melhor momento para ir, e nunca chegar de surpresa!! 
Vai ser muito mais tranquila e agradável a sua visita se os pais do bebe puderem se preparar antes e assim evitar que você chegue no meio do banho, da amamentação, ou em qualquer outro momento delicado. 

Mas, acima de tudo isso, quando for visitar um recém-nascido, lembre-se que cuidar do bebezinho, amamentar, dormir muito mal e muito pouco, manter-se alerta e preocupada 24h por dia, tudo isso pode ser extremanete exaustivo, então, aproveite para levar alegria, incentivo e apoio. Presentes são uma gentileza, mas não são indispensáveis. Pequenas ações de carinho, como pegar um copo de água quando a mãe estiver amamentando já fazem um bem enorme!


Eu e a minha prima Andrea poucos dias antes do Vince nascer! Mal sabia ela que seria a próxima!! Rsss