quinta-feira, 17 de julho de 2014

Um bebê pra você amar


Hoje, eu estava me recordando de uma conversa que tive com uma amiga há cerca de 7 anos atras, ela havia acabado de ter sua segunda filha e eu nem sonhava em ser mãe ainda. Ela me falou: eu não amei a Laura no primeiro instante que a vi. E eu pensei: que doida! E o amor louco, de mãe para filho, que todo mundo tanto fala? 
Passados alguns anos, eu recepcionei um bebê, de uma mãezinha que já tinha tido mais de 1 aborto, ela passou a manhã toda me contando do quanto ela queria aquele bebê, me mostrou as roupinhas, me contou da escolha do nome. Quando o bebê nasceu, ela chorava muito, feliz, emocionada. Eu encostei o bebê bem pertinho do rosto dela e ela olhou pra mim e disse: que cheirinho bom. Eu sorri pra ela, mas na verdade estava pensando: cheiro bom? O bebê deve estar cheirando a liquido amniotico e sangue... 
Então, anos depois, era eu que estava esperando para começar minha cesarea. Eu me lembro do momento exato em que vi o rostinho do meu bebê pela primeira vez, me lembro do que senti e do que pensei. Minha primeira reação foi olhar para o meu marido e perguntar se estava tudo bem, essa era a minha maior preocupação, que algo desse errado no momento do parto. Depois que ele disse que sim, foi que eu consegui olhar de verdade para o rostinho do meu bebê e a sensação foi.... estranha. Sinceramente. 
Eu olhava pra ele e via uma cara amassada e um nariz de batata. Estava feliz e aliviada por ele estar corado e respirando, mas só. 

O que eu quero dizer, ao contar sobre esse primeiro contato com o bebê é que o amor pode não acontecer imediatamente. Que algumas mães simplesmente amam, antes, durante e depois que o bebê nasce, mas que você não vai ser pior mãe se não amar imediatamente. Os sentimentos não podem ser impostos: toma o bebê pra você amar! Eu me lembro que olhava para o bebê e me sentia como se tivesse ganhado um brinquedo novo, que eu não sabia como brincar, era interessante, mas eu ainda não sabia direito o que fazer com ele. E então, eu me perguntava: aonde esta aquele amor louco que todas as mães -inclusive a minha - sempre me falaram??
O amor esta no convívio, no cuidado, no tempo que passa. Quando eu olho para trás, eu me lembro de sentir uma preocupação imensa, uma responsabilidade, uma necessidade de fazer o correto, mas hoje, 7 meses depois, não apenas a preocupação e a responsabilidade me fazem cuidar, ir lá no berço a noite toda pra ver se ele esta coberto, se esta quentinho, é um amor indescritível, gigante, que parece explodir dentro do peito. O amor de mãe. Aquele que me falavam. Aquele que fez a mãe gostar do cheirinho de seu bebê, mesmo que pra mim parecesse loucura naquele momento.
Eu vi esse amor no rosto de muitas mães, assim que o bebê nasceu, mas vi tantas outras, como eu, que apenas ficavam aliviadas porque tudo estava correndo bem. Então, não se sinta mal, se você estranhar um pouco aquele bebê quando colocarem ele em seus braços pela primeira vez. Dê tempo ao tempo, à sua vida, ao seu coração, que quando menos você perceber, vai ama-lo com todas as suas forças. 




4 comentários:

Adriana Sartorelli disse...

Má!
Lindo o post hoje! Arrepiei. E super me identifiquei. Tb achei a Amanda um joelho como tantos outros que já vi nascer. E inchadona! E hoje, amo enlouquecidamente....

maira arruda silveira disse...

E não é, Dri?! Era tão mais facil não tirar do berço quando ele era pequenininho... Hoje, qualquer chorinho me corta o coração. Rssss
Bjo.

Érika Mozer disse...

Lembro quando meu marido que assistiu o parto, (vendo tirarem Miguel de dentro de mim literalmente...até hoje me pergunto como ele não desmaiou) falou antes mesmo de eu perguntar: ele é cabeludo, é perfeito, está tudo bem.
Eu estava muito emocionada e é tudo muito rápido o nascer, o vir ao mundo. Perguntei para o querido do meu GO se estava tudo bem e se ele era perfeito.
Só sei que minha vida mudou quando eu ouvi o chorinho do meu filho.
Sim o "som" do meu bebê transformou minha vida antes mesmo que eu visse seu rostinho
É como se uma chuva de estrelas cadentes estivesse percorrendo meu corpo. Senti uma emoção nunca antes sentida e que jamais será esquecida.
Quando trouxeram ele para mim, já no quarto, eu me apresentei:
- Oi meu amor, eu sou sua mãe e você é filho de Deus emprestado a mim para sermos felizes juntos.
E teve uma noite, ainda no hospital, que do nada eu comecei chorar muito e em 5 minutos o toc-toc à porta com meu "embrulho" nos braços e a enfermeira dizendo: ele estava chorando inconsolável.
O peguei nos braços e tudo passou.
É uma ligação tão incrível entre mãe e filho...não importa se tenhamos gerado ou não, mas é algo fantástico.
É um amor que cresce a cada instante. É o maior que todas nós iremos sentir eternamente.
Acho excelente você tranquilizar as mamães ao dizer que amor se constrói. Que não vem pronto. Não é uma fórmula: "ame seu filho já".
Nós, mães, queremos prover em todos sentidos: alimento, saúde, higiene, aconchego, repouso. Estamos com nossos tentáculos todos em ação.
Daí em um determinado momento sobra tempo para amar o amor.
Sem pressa, com calma, em paz e como você diz: sem neura.
À propósito, essa foto com seu bb está uma delicinha.

maira arruda silveira disse...

É isso mesmo, Erika! Algumas mães amam exatamente como você descreveu, se inundando desse amor desde o primeiro instante, e isso é tão maravilhoso de ler e no meu caso, em varias oportunidades, de presenciar. Minha profissão é mesmo abençoada por Deus. Mas, algumas, como eu, estranham um pouco aquele pacotinho, e precisam deixar o amor crescer, florescer, sem se sentirem piores que as outras, somos apenas diferentes, mas mexe com a cria pra você ver! Rsss.
Bjo.