segunda-feira, 21 de julho de 2014

A Peppa e os valores que ensinamos aos nossos filhos.


Ontem, eu vi uma colega comentando no facebook como o filho dela gosta do desenho da Peppa. Pra quem não conhece, o desenho é sobre a rotina de uma familia de porquinhos, a personagem principal é a Peppa, filha mais velha que deve ter em torno de 5 anos e conta a rotina de brincadeiras na vida da criança. 


Parece muito bonitinho, não é mesmo? Então fui mostrar para o meu bebê e já no primeiro episódio que eu vi, eles passaram o desenho inteiro procurando os óculos do Papai Pig e quando encontraram, ele estava sentado em cima deles, então, eu ouço a Peppa se dirigir à seu pai: Papai bobinho. 
Muita gente já argumentou comigo que esse jeito dela falar com o pai é "carinhoso". 
Eu não concordei, mas, passadas algumas semanas, tentei dar outra chance ao desenho. Desta vez, além do "papai bobinho" que se repetiu, percebi que a Peppa faz graça com o "barrigão do papai".
 É carinhoso, me falaram novamente.
 Acontece que o papai não parece achar muita graça na "brincadeira carinhosa".  Ele fala que não gosta que falem de sua barriga, mas a brincadeira continua, com a mamãe dando risada, também. 
Vendo essas situações, eu me perguntei, quais os valores que estamos passando para os nossos filhos, diante de exemplos como esse?
Todos os dias nos deparamos com situações de desrespeito e falta de civilidade, mas parece que apenas nos importamos quando somos o lado prejudicado. Cada vez que se para onde é proibido "só por um minutinho", que se passa na frente dos outros numa fila, se esta perpetuando esse "jeitinho brasileiro", que nada mais é que o "tirar vantagem em tudo" amenizado por palavras mais bonitinhas. 
Hoje, vejo que muitas crianças são tratadas como brinquedos engraçadinhos, os adultos parecem não se policiar no seu linguajar ou no seu comportamento perto delas. Se estão assistindo a um jogo de futebol, não hesitam em gritar palavrões contra o juiz. No trânsito, buzinam, usam e abusam da luz alta, e novamente, muitos palavrões. Diante de determinadas situações, exibem às crianças todo o seu preconceito, racista, homofóbico, de  classes sociais. 
Como serão, no futuro, essas crianças que crescem achando que tudo isso é o correto? Os pais, avós, cuidadores são os grandes exemplos para as crianças. Se os adultos fazem, é porque esta correto. E eu me pergunto, isso é o correto? 
Por isso, voltando ao desenho da Peppa, eu acredito que há muitas outras formas de brincar com os pais, sem usar esse tipo de vocabulário, sem "ofensas carinhosas", sem fazer graça das condições físicas de cada um.
Se uma criança, com 5 anos, aprende que pode usar esse vocabulário com os seu pai, com a sua mãe, como você vai ensinar a ela que não pode mais usar essas palavras quando ficar mais velha? O importante, na educação, é a base. O uso carinhoso das palavras, a educação, o respeito, a civilidade, o caráter são formados desde bebê. 
É por isso que, nunca mais, meu filho assistiu a Peppa, e eu estou ficando cada vez mais "chata" com a educação das pessoas que convivem com o meu bebê e com a minha, afinal, eu também falo uns palavrões de vez em quando.
Eu quero criar não apenas um bom filho, mas um bom homem, digno e de boa índole e para isso, preciso me empenhar desde já. 


3 comentários:

Érika Mozer disse...

Querida você foi extremamente feliz com esse post. As conversas com meu marido permeiam sempre esse assunto: a ética, moral, respeito. E sempre me questiono: será que estou crítica demais? Será que estou sendo uma chata intolerável? Mas não consigo ser de outra forma e não vou ser condescendente com modismos por achar "bonitinho" ou "engraçadinho" ou "porque todo mundo gosta". Acho péssimo quando os pais, desde terna idade, ensinam coisas chulas achando que seus filhos não passam de marionetes para fazer outros dar risadas. Eu ensino o Miguel a dar beijo, fazer carinho, dançar, desenhar... ainda mais sendo um menino. Desejo que ele seja um homem gentil, amoroso com seus amigos, que respeite as pessoas, seja um gentleman com as mulheres. Se vou conseguir não sei, apenas sei do exemplo a ser dado, do consumo televisivo oferecido, ou seja, fazer minha parte para que a esponjinha absorva coisas legais. E as pessoas me falam: "- mas ele é moleque e moleque tem que ser macho"... mas eu penso no cidadão que vai integrar a sociedade, o aluno que vai ocupar uma carteira no colégio. Ensinar a religiosidade, o afeto, como ele observa o jeito que papai e mamãe se tratam.... enfim, eu não concordo com brincadeiras que tiram sarro, que denigrem o próximo. Ainda mais sendo o pai (como no exemplo da Peppa), afinal é dentro do nosso lar que a semente germina. Parabéns pela excelente abordagem. Um beijo super carinhoso.

Rosana Rossi disse...

Meus Parabens Maira!!! Adorei seu post...e isso deve ser lido e seguido por muitas outras jovens maes como vc! Com certeza teremos, futuramente, um mundo bem melhor do que temos hoje...Sou professora e posso testemunhar o quanto esta geração de jovens está desajustada.
Parabens mais uma vez!

Jussara Dourado disse...

A sua abordagem em relação aos valores da sociedade atual foi fantástico. Tenho 2 filhos (7 anos e 1 ano) e também acredito que a educação é a base.
Mas discordo do desenho da Peppa, ou melhor tenho outra visão ... vivemos num mundo em que existe as diferenças e se for bem abordada também tem valor, não pode virar "bulling". Meu filho de 7 anos é o grandao da escola, ele já tem 1,50 calça 35 e veste n. 14 totalmente fora do padrão e eu faço questão que ele tenha essa visão para nas brincadeiras não machucar as crianças, vc acredita q uma brincadeira de pega pega eu já ouvi mães pedindo para ele sair ... "ele só quer brincar" como qq criança mas tem q entender sua força e que sem querer pode machucar.. Eu quando criança fui gordinha e ouvi muitas grancinhas e me ajudou a chegar em casa e não brigar com minha mãe ao controlar minha comida. O barrigao do papai na minha visão pode ter outro sentido também ... minha família continua assistindo Peppa. Gde bjs